Capítulo 1 - Um Lugar Estranho Com Pessoas Acolhedoras

Certo dia eu acordei em um lugar que nunca tinha visto antes.
Olhei ao meu redor, tentando compreender a situação, mas nada fazia sentido, afinal estava em um clareira, deitado sobre um tecido macio. Quando olhei pra cima pude ver a copa das árvores e um feixe de luz solar que me fez cerrar os olhos.



Resolvi levantar e procurar alguém que pudesse me orientar quanto à minha situação. Nesse momento percebo que estou trajando vestes diferentes, tal como um camponês medieval, incluindo um chapéu, bastante diferente.


Começo a caminhada e percebo quão densa é a floresta em que me encontro, pois já caminhava por horas até o momento em que avistei um rapaz muito belo,  montado em seu cavalo, tal como um príncipe de tão majestosa a sua postura no animal.



Rapidamente tento estabelecer contato com ele, a fim de conseguir informações sobre o local em que me encontrava. Ele foi muito gentil comigo e me orientou sobre os grandes perigos que a floresta oferecia, de modo que se ofereceu para me levar até a cidade mais próxima em seu cavalo, visto que a distância era muito longa.

Desde o momento em que nos conhecemos eu gostei muito de sua gentileza e fiquei muito atraído por ele, porém preferi não arriscar perder minha "carona" por causa de uma investida. Entretanto, o jeito como ele me tratou e a forma como me conduziu até o cavalo me fizeram sentir uma energia diferente vinda dele, apesar de não ter dado muita atenção naquele momento, pois estava mais preocupado em achar civilização.

Quando chegamos à cidade mais próxima após uns 20 minutos a cavalo, pude perceber que tinhas os ares de uma pequena cidadezinha da idade média. Não haviam muitas pessoas na rua, portanto não sabia o tipo de pessoas que viviam ali. 




Ele me conduziu até sua casa, onde me apresentou sua família, incluindo seu pai, duas irmãs, um irmão e um avô. Todos foram muito atenciosos e me deixaram bastante à vontade, de modo que me ofereceram abrigo, visto que já estava anoitecendo e havia um quarto de hóspedes disponível. Considerando que me sentia seguro, aceitei a oferta. Porém, antes de ir dormir, nós jantamos juntos.



Depois do jantar todos se reuniram na sala para conversar, sendo que eu apenas me permiti escutar nesse momento. Depois do jantar, ele me conduziu até o quarto de hóspedes e, antes de ir embora, se apresentou formalmente para mim:

- Como você ainda não me disse seu nome, eu me apresentou primeiro. Muito prazer, meu nome é Bernardo! e você? como se chama?
- Ah, desculpe, acabei esquecendo de me apresentar. Eu sou Felipe!
- Muito prazer Felipe, espero que estejas a vontade, pois você é muito bem vindo!

Depois disso ele me entregou um lençol e dois travesseiros, e eu poderia jurar que senti algo diferente quando nossas mãos se tocaram ao pegá-los da mão dele, mas achei ter sido apenas impressão, e como estava cansado não levei a ideia adiante.
No outro dia, acordei bem melhor depois de ter tido um boa noite de sono. Ainda não tinha assimilado muito bem o fato de estar num lugar totalmente estranho e diferente, mas estava menos assustado, em boa parte devido à gentil forma como fui tratado por Bernardo.


Depois de acordar ainda permaneci na cama refletindo sobre a minha atual situação e repassando os momentos desde o despertar na floresta até a minha chegada à cada de Bernardo, incluindo o fato de ter me sentido extremamente atraído por ele. Justamente nesse exato momento alguém bate na porta, então me levantei e fui até a porta, quando abri dei de cara com Bernardo, sorrindo irresistivelmente.

- Bom dia Felipe! Desculpe incomodar mas eu vim convidá-lo para tomar café conosco.
- Ah, obrigado! Eu vou terminar de me vestir e já desço.
- Tudo bem, estamos lhe aguardando.

Quando ele foi embora não discriminava se estava totalmente encantado por Bernardo ou se envergonhado por conta do meu porte nada atlético que, sem querer, havia exibido para ele, visto que na noite anterior havia dormido sem camisa por causa do calor.
Depois de recolocar a camisa eu desci até a sala, onde me deparei com algo que me deixou relativamente boquiaberto, não sei dizer ao certo o porquê. O irmão que Bernardo me apresentara na noite anterior estava no sofá com um outra rapaz deitado em seu colo, e no momento em que cheguei à sala pude ver os dois se beijando.

É evidente que a minha surpresa não foi o fato de dois homens se beijarem, mas de fato não havia notado que o irmão dele era gay, nem tampouco que a dinâmica na casa fosse liberal, a ponto deles permanecerem confortavelmente namorando na sala, pois a dinâmica na minha casa, com certeza, era drasticamente diferente. Depois que notaram minha presença, os dois permaneceram na mesma posição e o irmão de Bernardo, que se chamava Luíz, se dirigiu a mim:

- Oi Felipe, dormistes bem?
- Sim! Dormi muito bem na verdade!
- Esse aqui é meu namorado, Henrique.
- Muito prazer! o Luíz me disse que você chegou ontem da floresta junto com o Bernardo.
- Prazer em conhecê-lo! É isso mesmo, mas, na verdade, ainda não sei o que estava fazendo lá.
- Bom, estávamos apenas aguardando você para começar o café da manhã, então agora podemos ir.

O irmão de Bernardo era tão agradável quanto ele, porém, ainda que fosse um rapaz muito bonito,  considerava que Luíz não tinha um tipo de beleza que só havia percebido nele.
Depois de chegarmos à cozinha percebi que, realmente, todos estavam me esperando para dar inicio ao café da manhã, então percebi que era tradicional todos os membros da casa efetuarem as refeições juntos, incluindo os hóspedes.
Novamente, fiquei muito encantado com a família de Bernardo, tanto quanto ficara com ele, pois todos eram muito gentis comigo, bem como eram muito unidos entre si, o que achei muito interessante, dado que meu referencial de família não envolvia tanta união, e, em alguns momentos, gentileza.
Após o café da manhã, Bernardo me perguntou se gostaria de roupas novas, visto que as minhas estavam sujas e até mesmo rasgadas.

- Eu acho que você está precisando de roupas novas. Gostaria de algumas emprestadas?
- Eu acho que sim, estas estão imundas. Mas acho que as suas roupas não servem em mim.
- Eu sei, mas falei com o Luíz hoje de manhã e ele não se importa em te emprestar algumas.
- Nesse caso eu aceito. Muito obrigado Bernardo, vocês todos estão sendo muito bons comigo.
- Sem problema. Nós sempre tratamos bem nossos hóspedes, e, além disso, todos gostaram de você.
- Que bom. Eu também adorei todos vocês. E queria pedir mais um favor, posso tomar um banho?
- Claro! Venha cá.

Bernardo me direcionou até o banheiro e disse que voltava em breve com as roupas de Luíz. Enquanto tomava banho não pude deixar de pensar como há muito tempo não me sentia tão acolhido quanto naquela família.


Poder tomar um banho, naquele momento, me permitiu pensar o quanto tudo aquilo estava sendo muito estranho e prazeroso ao mesmo tempo, afinal, me sentia como se realmente fizesse parte daquela família, apesar de conhecê-los a pouco menos de um dia.
Quando terminei o banho, quase que sincronizadamente, ouvi alguém bater na porta. Deduzi que fosse Bernardo, é claro. Ao abrir a porta lá estava ele com sua postura marcante, tão sorridente e jovial, com a toalha e as roupas de Luíz nas mãos. Peguei-as das mãos dele e agradeci, então ele se retirou e me deixou sozinho para que pudesse trocar de roupa no banheiro.
As roupas de Luíz couberam muito bem em mim, e regozijei por poder vestir roupas macias, cheirosas e que não estivesses rasgadas. Após terminar de me vestir, fui até a sala, onde encontrei Luíz e seu namorado novamente.

- Vejo que as minhas roupas te serviram bem Felipe!
- Sim, muito obrigado Luíz, me sinto renovado com estas roupas.
- Disponha, é um prazer ajudar. Mas me fala, ainda não lembrou como foi parar na Floresta do Leste?
- Não, é muito estranho, mas simplesmente não sei como acordei ali.
- Eu entendo. Mas você vai lembrar, eu tenho certeza.
- Assim espero. 

Enquanto tínhamos essa conversa, eu estava sentado em um sofá, enquanto Luíz e seu namorado estavam em outro. Posteriormente, Bernardo adentrou a sala e, como não havia lugar no outro sofá, ele se sentou ao meu lado. Nesse momento, senti algo diferente por ele estar tão perto de mim, pois percebi que era a primeira vez que ficávamos a uma distância tão curta, tanto que podia sentir o seu braço, bastante musculoso, tocar em mim, considerando-se que o sofá não era muito largo. Ao se sentar ele iniciou outra conversa.

- Luíz, você já apresentou o Henrique para o Felipe?
- Claro mano, estávamos até conversando tranquilamente aqui.
- Que bom. E você Felipe, se sente melhor depois de um bom banho e vestindo roupas novas?
- Claro Bernardo, estava até comentando que me sinto renovado.
- Fico feliz, espero que estejas à vontade. Não se preocupe com nada viu, meu pai disse que você pode ficar aqui o tempo que quiser, principalmente porque você não lembra como foi parar na Floresta do leste.
- Muito obrigado a todos você! Nossa, eu nem sei como vou retribuir toda essa gentileza.
- Você pode nos contar um pouco de você pra começar.
- Parece justo Luíz, o que vocês querem saber?
- Você tem família ou alguém mais te esperando em algum lugar?
- Olha, pra falar a verdade Luíz, apenas meus pais estão me esperando no lugar de onde eu vim.
- Não tens namorado lá?
- Não Luíz, sou um solteirão mesmo! E vocês a quanto tempo namoram?
- Eu e o Henrique namoramos há uns dois anos.
- Nossa, bastante tempo heim. E você Bernardo?
- Bom Felipe, eu, assim como você, estou solteiro. Ainda não encontrei alguém legal como o Luíz encontrou o Henrique.

Confesso que saber que o Bernardo estava solteiro mexeu bastante comigo, de uma maneira que nem eu mesmo compreendi totalmente até aquela altura. Um outro ponto é que, eu percebi que a homossexualidade, com certeza, não era um problema naquele contexto, aliás, não precisei de nenhuma explicação formal para entender que a minha orientação sexual, naquela casa, até quele momento, era efetivamente considerada normal. Bastante diferente da minha "realidade", onde o máximo que conseguiria nesse aspecto era um status de "aceitável", porém, jamais normal. Essa associação me deixou bastante feliz e cada vez mais encantado com aquele lugar.

Depois de muita conversa, bernardo disse que se sentia cansado, então foi para o seu quarto dormir. Permaneci algum tempo conversando com Luíz e Henrique sobre muitas coisas, principalmente sobre a história de namoro dos dois, visto que gostei muito deles enquanto um casal.
Após algum tempo, Henrique se levantou e se direcionou para a porta, pois estava ficando tarde e precisava ir para casa. Depois de se despedir de Henrique, Luíz voltou ao seu lugar no outro sofá, então continuamos conversando.

- Vocês formam um belo casal Luíz!
- Obrigado Felipe! Por falar nisso, eu quero te perguntar algo.
- Pode perguntar. Qual o assunto?
- Bom, você sabe que o meu irmão está solteiro, e como me dissestes que também estás...
- Ainda não entendi, continua.
- Tudo bem, vou ser bastante direto. O Bernardo está solteiro há muito tempo, porque da ultima vez que ele se envolveu emocionalmente com alguém, ele sofreu uma grave desilusão. Então, posso estar me precipitando, mas acho que ele gosta de você.
- Luíz, eu não percebi nada. Acho que podes estar enganado!
- Felipe, eu não estou te mandando fazer nada, só queria que soubesses disso. Afinal, apesar do pouquíssimo tempo que estás conosco, senti que és uma pessoa de bom coração, e poderias fazer muito bem ao meu irmão. Quero te perguntar somente mais uma coisa: Já parou pra observá-lo atentamente?
- Na verdade não. Muitos pensamentos me vêm à cabeça nesse período desde que cheguei aqui, então eu não parei pra observá-lo, apesar de ter percebido quão gentil ele é.
- Está ficando tarde. Eu não vou mais te importunar com isso. Como eu disse, só queria que soubesses disso, afinal quero somente o bem do meu irmão. Então, tenha uma boa noite e reflita sobre o que eu te disse.
- Boa noite Luíz!

A conversa com Luíz, de uma maneira muito singela, desvelou um véu que insistia em cobrir minha visão sobre a situação na qual me encontrava.
Bernardo, desde o começo, foi muito gentil comigo e me tratou tão bem quanto eu jamais poderia imaginar, aliás, para ser bem sincero, toda a família agiu dessa maneira comigo. Porém, toda vez que eu pensava na figura do Bernardo e o quanto eu estava agradecido por ele aparecer naquela estranha floresta e  me salvar, algo mais que gratidão me vinha a mente.
Depois da conversa com Luíz, eu percebi que toda vez que Bernardo conversava comigo, eu tinha vontade de abraçá-lo, porém, erroneamente, interpretava como pura gratidão, quando na verdade, me interessei fisicamente por ele desde o primeiro contato. A pura atração física se intensificou ainda mais durante o curto período em que temos convivido, afinal, Bernardo é encantador e tem um jeito muito singular de se portar.
Ainda permaneci muito tempo refletindo sobre o assunto, sozinho no sofá, até que ouvi um barulho na cozinha. Então me levantei  pera verificar quem ainda estava acordado, e, para minha surpresa e nervosismo, era Bernardo.

- Oi Bernardo, pensei que já estivesses dormindo.
- Oi Felipe. Eu acordei de repente e ainda não consegui voltar a dormir, então vim tomar um pouco de água.
- Entendo. Eu já estava subindo para o meu quarto quando ouvi um ruído aqui.
- Eu não sou a pessoa mais discreta do mundo, na verdade todos dizem que sou um pouco estabanado. O barulho que você ouviu foi do meu tropeço na cadeira.
- Bom, ainda bem que você não se machucou.
- É verdade! Você já vai subir para o quarto?
- Já! Estou com muito sono nesse momento.
- Então eu vou com você.

Eu fiz como Luíz dissera, parei para observar Bernardo mais atentamente. Naquele breve momento na cozinha pude perceber que por trás de todo o seu porte atlético havia alguém muito gentil e humilde, o que me encantou muito. Quando chegamos à porta do meu quarto, Bernardo se despediu de mim com um toque em meu ombro, que me levou às nuvens, principalmente pela suavidade com que ele o fez. Embora quisesse pensar um pouco mais em tudo isso quando adentrei o quarto, meu corpo não resistiu e adormeci assim que me deitei.


Enquanto dormia, algo muito interessante aconteceu. Dentro dos meus sonhos me vi caminhando sozinho por uma pequena estrada de terra, que me guiava a um horizonte desconhecido, no qual eu podia avistar somente uma pequena árvore em uma planície. Quando cheguei no local onde estava a árvore, deitei meu corpo próximo ao tronco e regozijei com a sombra advinda de sua vasta folhagem, então simplesmente adormeci, até que, quando abri novamente meus olhos tive uma surpreendente visão. Minha cabeça estava apoiada nas coxas de Bernardo, que acariciava suavemente meu cabelo e, quando me viu acordado, sorriu lindamente, colocou a mão em minha face e se direcionou até meu lábios. Infelizmente, antes de experimentar, ainda que em sonho, a sensação de beijar aquele rapaz, ouvi batidas na porta e alguém chamando meu nome.


- Felipe?! Felipe?! Estás acordado?

Quando estava efetivamente acordado, consegui responder afirmativamente e ir até a porta falar com Luíz.

- Oi Luíz. Desculpa, estava dormindo. Estás me chamando há muito tempo?
- Na verdade não. Mas você dormiu bastante hoje. Bom, eu vim te convidar para o almoço.
- Almoço?! Meu deus, eu dormi muito mesmo!
- É verdade! Nós até te esperamos para o café da manhã, mas depois deduzimos que não viria.
- Me desculpem, isso foi falta de educação da minha parte. Mas já estou descendo daqui a poucos minutos.
- Tudo bem. Não se preocupe, nós compreendemos que você ainda está se adaptando. Até daqui a pouco.

Depois disso, tomei um banho rápido e troquei de roupas - Luíz, de muito bom grado, havia me emprestado mais algumas de suas roupas -, então desci até a cozinha, onde todos estavam reunidos para o almoço. Quando cheguei, todos estavam com o ar cordial de sempre, que para mim era a coisa mais instigante da história, afinal, desde que chegara àquela casa tinha sido tratado com todas as regalias possíveis, além disso, quebrei uma tradição da família quanto à realização conjunta de refeições. Porém, quando cheguei ao recinto, fui muito bem tratado com sempre.

- Bom dia Felipe! Como você está se sentindo hoje?
- Bom dia a todos! Eu estou me sentindo muito bem Senhor.
- Pode me chamar apenas de Emanoel.
- Tudo bem Emanoel. Eu queria aproveitar e me desculpar por não poder estar com vocês durante o café da manhã.
- Não há do que se desculpar. Nós compreendemos muito bem que você ainda está se ambientando a essa casa.
- Muito obrigado pela compreensão. Mas me digam, onde está o Bernardo? Ele não vai almoçar conosco?
- Ele vai Felipe. Na verdade, falta apenas ele chegar para podermos começar a refeição.

Surpreendentemente, nesse exato momento, Bernardo adentra a cozinha, suado e parecendo um pouco cansado. 

- Desculpem o atraso Família! Hoje o dia foi bastante cansativo! Vamos almoçar.
- Sem problema filho. Que bom que você chegou.

Interessantemente, Bernardo sentou em uma cadeira ao lado da minha.

- Bom dia Felipe! Senti sua falta no café da manhã!
- Sentiu?...E..Eu dormi além do ponto hoje! Mas já me desculpei por isso.
- Não se preocupe com isso! É que eu gosto da sua companhia.

A última fala de Bernardo me deixou tão nervoso que não consegui pronunciar outra palavra sequer durante o almoço. Ao final da refeição, o pai de Bernardo me convidou para conversar em particular.

- Felipe, não entenda o que eu vou dizer como uma exigência, na verdade é apenas um conselho.
- Pode falar Emanoel.
- Bem, eu estive pensando sobre a possibilidade de você começar a desempenhar algum trabalho aqui no vilarejo, o que você acha?
- Bem, eu tenho que confessar que nunca trabalhei, mas eu gostaria de tentar, até para poder sentir que estou retribuindo a sua gentileza em me acolher!
- Então você pode começar amanhã ajudando o Bernardo. E não se preocupe, por que ele vai te ensinar tudo o que você precisa fazer.
- Tudo bem Emanoel. 

Essa conversa me deixou extremamente ansioso por dois motivos, primeiro, porque eu gostaria de mostrar que posso retribuir o fato de ser tão bem acolhido por aquela família através de um trabalho bem feito, embora não soubesse nada sobre o que deveria fazer. O outro motivo é o fato de ter que passar um tempo bem maior com Bernardo, o que me deixava bastante nervoso dada a circunstância em que me encontrava em relação a ele: totalmente atraído. Depois da conversa com Emanoel, eu me dirigi até a sala, onde encontrei Bernardo bastante concentrado em um desenho que estava fazendo.

- Isso está ficando muito bom Bernardo! Não sabia que você desenha tão bem.
- Oi Felipe. Imagina, isso não é nada. É apenas um passatempo que gosto de ter antes de voltar ao trabalho.

Eu gostei muito do desenho que ele estava fazendo, então, sem qualquer cerimônia me sentei no mesmo sofá em que ele estava. Quando Bernardo terminou, ele levantou a cabeça e se virou para mim, o que fez meu coração disparar. Para completar ele pediu que eu deixasse ele fazer um retrato do meu rosto, sendo que eu não tive como responder negativamente. A situação estava me deixando cada vez mais nervoso, pois estava muito próximo de Bernardo, e, evidentemente, ele não parava de me olhar, visto que estava retratando o meu rosto. Quando terminou, ele me mostrou o desenho, que me deixou maravilhado, já que ele tinha fielmente retratado os traços do meu rosto, e até mesmo a minha expressão naquele momento específico.

- Nossa Bernardo! Eu estou impressionado, você tem muito talento para desenhar. Nem um espelho retrata tão bem o meu rosto com tanta riqueza de detalhes.
- Obrigado Felipe. O seu rosto é lindo sabia?

Não soube o que responder diante daquela afirmação. Porém, eu não precisei responder nada quando Bernardo calmamente se aproximou ainda mais de mim no sofá, olhando fixamente em meus olhos, colocou a mão em meu rosto e me beijou. Um suave e doce beijo, que não foi demorado  ou apressado, apenas aconteceu.

Depois de me beijar, Bernardo continuou a me olhar fixamente nos olhos. Como ele não viu nenhuma resposta da minha parte, ele começou a falar do ocorrido.

- Felipe, eu gosto muito de você. E esse beijo não precisa significar nada se você não quiser.

Eu estava extasiado e ao mesmo tempo em choque, então simplesmente não consegui responder nada sobre o que acontecera. Bernardo se retirou da sala e me deixou sozinho para pensar no que aconteceu.

Bernardo deixou o retrato que fizera em cima do sofá, e, quando o peguei para olhar percebi uma coisa, que havia tanta fidelidade no que ele fizera porque ele conseguia efetivamente captar aspectos que outras pessoas não conseguiam ou não se atentavam. Então, depois de refletir muito, eu decidi que no outro dia, quando saíssemos para o meu primeiro dia de trabalho, eu estaria decidido sobre o que sinto por Bernardo e diria isso a ele.



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5 comentários:

  1. Interessante ressaltar que certos comportamentos hoje considerados proibidos eram aceitos antigamente, embora diga-se de passagem, bem escondido dentro de casa. Uma dica pra ajudar na imersão do leitor é procurar um pouco de rebuscamento na fala dos personagens. Afinal, antigamente se falava mais polidamente do que hoje com as gírias e abreviações. Adorei o conto.

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  2. Grande romance! Parabéns, estou acompanhando ancioso.

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  4. Achei muito ruim sério tipo isso aconteceu onde no mundo gay?? Onde todos são gays e é tudo aceito kkk adoro contos gay porém esse não teve emoção sei lá só perdi tempo :((

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